Perguntaram-me hoje: o que é sentir?
Pensei tempo demais para acabar optando por uma resposta extremamente espontânea como a que se seguiu...
"Sentir é ter pernas.
Não sei porque, mas, sempre que sinto me dou conta do meu corpo em toda a sua extensão. E descubro que tenho pernas mais longas do que suponho; quando não estou sentindo. Pois bem. Sentir também é febre, enjôo; vontade de algo que sabe-se estar perto, mas não consegue abarcar. Sentir é ter desejos constantes; como quem gerasse o mundo e pensasse em como se daria o parto.
Sentir muito é morrer aos poucos....
Mão na nuca é sinal de sentimento. E pés calçados; camisolas bonitas, mesmo quando para ninguém vêr. Olhares furtivos; janelas e tetos atraentes. Ruas e becos e gestos e sons e jornais e frutas e bolsas e bolsos e luzes e frascos; sinais que não se atravessam. As informações se agregam e exalam cores quentes, despertando interesses muito acima de suas naturezas funcionais. Os detalhes deixam de ser brancos; tornam-se essências.
Sentir é ser devagarinho até que um dia se é por completo.
E dói.
Sentir é dor, mesmo quando se pensa experimentar o céu... "
( Nesse momento, a voz de menina cessou e as mãos deslizaram sorrateiramente até alcançar a nuca. A expressão do rosto tornou-se grave, enquanto a mente visitava antigos castelos de ilusão levados pelas águas mornas do tempo. As reticências deixadas no ar transformaram-se em um novo assunto; mas os pensamentos permaneceram longes durante todo o restante do dia. )
Pensei tempo demais para acabar optando por uma resposta extremamente espontânea como a que se seguiu...
"Sentir é ter pernas.
Não sei porque, mas, sempre que sinto me dou conta do meu corpo em toda a sua extensão. E descubro que tenho pernas mais longas do que suponho; quando não estou sentindo. Pois bem. Sentir também é febre, enjôo; vontade de algo que sabe-se estar perto, mas não consegue abarcar. Sentir é ter desejos constantes; como quem gerasse o mundo e pensasse em como se daria o parto.
Sentir muito é morrer aos poucos....
Mão na nuca é sinal de sentimento. E pés calçados; camisolas bonitas, mesmo quando para ninguém vêr. Olhares furtivos; janelas e tetos atraentes. Ruas e becos e gestos e sons e jornais e frutas e bolsas e bolsos e luzes e frascos; sinais que não se atravessam. As informações se agregam e exalam cores quentes, despertando interesses muito acima de suas naturezas funcionais. Os detalhes deixam de ser brancos; tornam-se essências.
Sentir é ser devagarinho até que um dia se é por completo.
E dói.
Sentir é dor, mesmo quando se pensa experimentar o céu... "
( Nesse momento, a voz de menina cessou e as mãos deslizaram sorrateiramente até alcançar a nuca. A expressão do rosto tornou-se grave, enquanto a mente visitava antigos castelos de ilusão levados pelas águas mornas do tempo. As reticências deixadas no ar transformaram-se em um novo assunto; mas os pensamentos permaneceram longes durante todo o restante do dia. )
