domingo, novembro 13, 2005

Eu perdi a tua guerra, porque lutei com medo de não lutar. E não resisti por medo de forçar uma vitória sem mérito. Se te quero - é em glória...
Uma parte de mim se dá em um adeus, outra se mantém livre de qualquer sentimento. Cirandiando em notas doces, agudas e infantis:
- É a tal da maturidade que não me vem.

Incendiando em tônica e átona, em forte e fraca, brincando com fogo como quem quer apenas se queimar.
- Se sou mulher falta-me a menina; Se sou menina falta-me o ar.

Sinto a proximidade dos corpos que não se tocam - a música tornando-se estridente - mãos gélidas e coração em fogo. E o fogo é bonito e vermelho como a boca que não beija. E o encanto se faz maior do que qualquer outro sentimento.Derrama-se feito água - e a água é tão pura que - se há tristeza - amansa-se num abraço.

- Quero derramar-me feito água e fluir em tua vida. Ser tua lembrança mais branda. Ser tua voz sumindo, cedendo ao infinito de um olhar. Mas não, não o quero... Guarde-se por inteiro para o destino. O pressuposto nós é apenas uma ilusão desencontrada. No fundo o meu olhar não vê ninguém, o meu olhar não sente, nem quer ser sentido. Meus olhos procuram o engano, pois temem o encontro com o que procuram.

Deixo a ti o infinito e toda a felicidade que vislumbramos no porvir. Desenlacemos os braços, tal qual Reis, mortais, súditos de qualquer destino. O teu já não estás em mim...