sábado, abril 22, 2006

"Nosso amor não deu certo
Gargalhadas e lágrimas
De perto fomos quase nada
Tipo de amor que não pode dar certo na luz da manhã
E desperdiçamos os blues do Djavan

Demasiadas palavras
Fraco impulso da vida
Travada a mente na ideologia
E o corpo não agia como se o coração tivesse antes que optar
Entre o inseto e o inseticida

Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa qualquer em você
O que será ?

Como nunca se mostra
O outro lado da lua
Eu desejo viajar
No outro lado da sua
(seu) coração galinha de leão
Não quer mais amarrar frustração
O eclipse oculto na luz do verão

Mas bem que nós fomos muito felizes
Só durante o prelúdio
Gargalhadas e lágrimas
Até irmos pra o estúdio
(...)Não me queixo

Nada tem que dar certo
Nosso amor é bonito
Só não disse ao que veio
Atrasado e aflito
E paramos no meio
Sem saber os desejos aonde é que iam dar
E aquele projeto ainda está no ar

Não quero que você
Fique fera comigo
Quero ser seu amor
Quero ser seu amigo
Quero que tudo saia
Como o som do Tim Maia
Sem grilos de mim
Sem desespero sem tédio sem fim"

(eclipse oculto - Caetano Veloso)

quarta-feira, março 29, 2006

Perguntaram-me hoje: o que é sentir?

Pensei tempo demais para acabar optando por uma resposta extremamente espontânea como a que se seguiu...

"Sentir é ter pernas.
Não sei porque, mas, sempre que sinto me dou conta do meu corpo em toda a sua extensão. E descubro que tenho pernas mais longas do que suponho; quando não estou sentindo. Pois bem. Sentir também é febre, enjôo; vontade de algo que sabe-se estar perto, mas não consegue abarcar.
Sentir é ter desejos constantes; como quem gerasse o mundo e pensasse em como se daria o parto.

Sentir muito é morrer aos poucos....

Mão na nuca é sinal de sentimento. E pés calçados; camisolas bonitas, mesmo quando para ninguém vêr. Olhares furtivos; janelas e tetos atraentes. Ruas e becos e gestos e sons e jornais e frutas e bolsas e bolsos e luzes e frascos; sinais que não se atravessam. As informações se agregam e exalam cores quentes, despertando interesses muito acima de suas naturezas funcionais. Os detalhes deixam de ser brancos; tornam-se essências.

Sentir é ser devagarinho até que um dia se é por completo.

E dói.


Sentir é dor, mesmo quando se pensa experimentar o céu... "

( Nesse momento, a voz de menina cessou e as mãos deslizaram sorrateiramente até alcançar a nuca. A expressão do rosto tornou-se grave, enquanto a mente visitava antigos castelos de ilusão levados pelas águas mornas do tempo. As reticências deixadas no ar transformaram-se em um novo assunto; mas os pensamentos permaneceram longes durante todo o restante do dia. )

segunda-feira, março 27, 2006

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Des-construções em experimentos emocionais alternativos

Ouvir aquele timbre, pode ser - por si só - um experimento emocional. Mas o tempo passa e a ferida aberta coça ao fechar-se lentamente. A provável pior metáfora que já fiz. Frases soltas no espaço em branco e preto. A ferida aberta coça. Enquanto fecha por completo flashes de bossa em flertes de fossa. Mordida de mosquito. Mar-atrás-(de)-Ísis. Poesia concretista é chamar de suco o limão no pé. Pé do Moraes estava sujo. Nani gosta de pé-sujo-bar. Meu pé vive sujo, porque eu uso rasteira - não chinelo. Pra quem me deu rasteira e não aceita variações semânticas de um dado vocábulo: "(...) kgas dlodo md sksks..."

Mas ainda não sei uma onomatopéia que reproduza o som de um balanço rangendo. Perdi o meu anel e deixei-me perder. Encontrei alguém com quem praticar oclumência nas noites eternas de um janeiro qualquer - Deve ser a tal sintônia pisciânica, que já tantas vezes reinventamos. (E o medo latente de nunca mais se reinventar...). A minha taróloga disse que...Ah, não interessa o que ela disse.

"Macabéa. - Maca, o quê? Béa..." - Sobrevivi ao sobressalto de existir.

Então, vista-se de azul que hoje eu te quero em festa, com o salto ecoando em música ao contato com o chão. Qual é o preço de um personagem novo? Eu tenho um óculos singular como o meu nome - Alguns dizem ser comum - outros pedem para eu repetir e questionam o número de "y" e de "l´s". Faz de novo? E no voltar ao tempo - "teu timbre de trás pra frente" é quase uma música do Frejat... Reconhece como suas "as cartas que eu não mando?

Alguns acasos são sempre tão iguais...

domingo, janeiro 22, 2006

Mãos Atadas
Zélia Duncan
Composição: Simone Saback

Tenho as mãos atadas ao redor do meu pescoço
Eu queria mesmo era tocar seu corpo
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos e depois?
Depois toco meu corpo eu tenho frio
Sou um louco amargurado e até vazio
E me chamam atenção
Mas eu sou louco é de paixão e você?
Você que me retire desse poço
Eu sei ainda sou moço pra viver
E te ver assim tão crua
A verdade é toda nua
E ninguém vê

Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer
Eu quero é me livrar
VoarSumirPerder não sei, não sei, não sei querer mais
A qualquer hora é sempre agora chora
Quero cantar você
Vou fazer uma canção liberte o meu pensar
Aperte os cintos pra pousar
Agora é hora de dizer muito prazer sorte ou azar e amar
Simplesmente amar você

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Muita coisa a ser dita, cuja importância é tão duvidosa quanto uma manhã chuvosa no centro de uma quinta deserta...

Lili - Pensando nas terras caóticas que a minha redoma de vidro nunca me deixou ver.
Ora, quem mandou querer um amadurecimento? Se pediu aguenta, como diria o Lenine. É o mínimo que se pode fazer, aguentar e tentar aprender com os nossos erros, e "(...)de cabeça erguida, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança." (E a menina que habita em mim se esconde dentro dos olhos que faíscam...Quando a tempestade cessar, talvez a sua doçura volte a imperar em olhos mais plácidos. )

"Sorri, quando tudo terminar/ quando nada mais restar/ do teu sonho encantador/ sorri..."

Charles Chaplin foi uma pessoa iluminada. Eu ando sorrindo muito, e tenho tido bons momentos assim. As pessoas deveriam tentar viver um pouco mais ele, do que usarem como guia a personalidade de outras que não queriam nem que um cachorro as seguisse na rua. Isto me faz pensar o quanto os defeitos humanos já foram fascinantes para mim...Hoje percebo que grande parte deles não passam de álibes para sustentar pessoas tristes. Tristes porque buscam no mundo uma beleza de um segundo e só descobrem que o dia seguinte merece ser vivido, quando se deparam com o estrago da noite anterior. E se desimportam do que foi perdido, para que a próxima cena seja ainda melhor.

Não tenho nada contra cenas, ao contrário, preciso delas para sobreviver. No entanto, entendi recentemente que só as sinceras interessam. Forçar uma cena, é satirizar sentimentos. Parodiar belas canções em prol de um divertimento findo - sem arte, sem essência. Ouvi uma frase um dia desses que dizia algo como: Não pense que está a salvo só porque uma pessoa parece ser boa com você e um determinado grupo, apenas; o caráter é um só. Concordo até certo ponto, mas acredito na mudança. Contudo, também acredito que se afundar num personagem equivocado, sustentar o insustentável, é uma atitude de acomodação covarde. Nenhum prazer vale o preço das lágrimas alheias.

Creio que em prol de bons sentimentos, quase tudo é perdoável, ou em casos graves, aceitáveis. Mas por vaidade, ego, egoísmo ou orgulho...Confesso que quando menor achava graça dos defeitos humanos; passava a mão na cabeça, procurava álibes e brincava com eles... Até que um dia desses um deles me mordeu, e depois um outro repetiu o gesto. E só então entendi que não se pode julgá-los, mas quando reconhecidos, exigem alguma tentativa de mudança, e não uma acomodação. Não usá-los como álibes para continuar fazendo as mesmas coisas com pessoas a quem dizem amigas.

Enfim, mas no fundo - no fundo acho que é aquela história da música do leoni: "O que me dá raiva não é o que você fez de errado, nem seus muitos defeitos, nem você ter me deixado, nem seu jeito fútil de falar da vida alheia, nem o que eu não vivi aprisionado em sua teia/O que me dá raiva são as flores e os dias de sol(...) são seus olhos e mãos e seu abraço protetor. É o que vai faltar." - Não sinto pelo erros em si, mas pelo fato de que em alguns, não se pode( ou não há o pleno interesse em) remediar. Assim, tantas pessoas se perdem uma das outras - "um bilhete curto e já não há mais nada". E o que falta, para mim é sempre o que falta o que importa - e o motivo pelo qual a falta está presente. O vão que foi deixado - se foi deixado - terá sido porque em algum momento alguém desimportou aquilo que eu julgava importante? Lembranças passadas, certezas de lembranças futuras, uma idealização qualquer de um alguém(ou mais)...

(Em todo caso, admito que idealizar algo ou alguém é sempre um erro, cujo preço é uma desilusão futura e o efeito é uma sensação momentânea de beleza artística que há de romper, ainda que por um breve segundo, com a vida morna. - Idealizar com os pés no chão, ter a consciência de que você não sabe se é seguro, ajuda a amaciar a queda.)

Em contradição ao que acabo de escrever - tudo o que eu queria era fechar os olhos, contar até três, abri um sorriso e voltar ao ponto de partida, como se eu nunca tivesse saído de lá. Seja o útero, seja o começo desse ano, seja o começo do ano passado ou seja 3 ou mais anos atrás. Voltar para tentar reescrever a história, voltar apenas para sorri pra quem te fez chorar, voltar para sentir que tudo poderia ter sido diferente...

domingo, novembro 13, 2005

Eu perdi a tua guerra, porque lutei com medo de não lutar. E não resisti por medo de forçar uma vitória sem mérito. Se te quero - é em glória...
Uma parte de mim se dá em um adeus, outra se mantém livre de qualquer sentimento. Cirandiando em notas doces, agudas e infantis:
- É a tal da maturidade que não me vem.

Incendiando em tônica e átona, em forte e fraca, brincando com fogo como quem quer apenas se queimar.
- Se sou mulher falta-me a menina; Se sou menina falta-me o ar.

Sinto a proximidade dos corpos que não se tocam - a música tornando-se estridente - mãos gélidas e coração em fogo. E o fogo é bonito e vermelho como a boca que não beija. E o encanto se faz maior do que qualquer outro sentimento.Derrama-se feito água - e a água é tão pura que - se há tristeza - amansa-se num abraço.

- Quero derramar-me feito água e fluir em tua vida. Ser tua lembrança mais branda. Ser tua voz sumindo, cedendo ao infinito de um olhar. Mas não, não o quero... Guarde-se por inteiro para o destino. O pressuposto nós é apenas uma ilusão desencontrada. No fundo o meu olhar não vê ninguém, o meu olhar não sente, nem quer ser sentido. Meus olhos procuram o engano, pois temem o encontro com o que procuram.

Deixo a ti o infinito e toda a felicidade que vislumbramos no porvir. Desenlacemos os braços, tal qual Reis, mortais, súditos de qualquer destino. O teu já não estás em mim...