Muita coisa a ser dita, cuja importância é tão duvidosa quanto uma manhã chuvosa no centro de uma quinta deserta...
Lili - Pensando nas terras caóticas que a minha redoma de vidro nunca me deixou ver.
Ora, quem mandou querer um amadurecimento? Se pediu aguenta, como diria o Lenine. É o mínimo que se pode fazer, aguentar e tentar aprender com os nossos erros, e "(...)de cabeça erguida, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança." (E a menina que habita em mim se esconde dentro dos olhos que faíscam...Quando a tempestade cessar, talvez a sua doçura volte a imperar em olhos mais plácidos. )
"Sorri, quando tudo terminar/ quando nada mais restar/ do teu sonho encantador/ sorri..."Charles Chaplin foi uma pessoa iluminada. Eu ando sorrindo muito, e tenho tido bons momentos assim.
As pessoas deveriam tentar viver um pouco mais ele, do que usarem como guia a personalidade de outras que não queriam nem que um cachorro as seguisse na rua. Isto me faz pensar o quanto os defeitos humanos já foram fascinantes para mim...Hoje percebo que grande parte deles não passam de álibes para sustentar pessoas tristes. Tristes porque buscam no mundo uma beleza de um segundo e só descobrem que o dia seguinte merece ser vivido, quando se deparam com o estrago da noite anterior. E se desimportam do que foi perdido, para que a próxima cena seja ainda melhor.
Não tenho nada contra cenas, ao contrário, preciso delas para sobreviver. No entanto, entendi recentemente que só as sinceras interessam.
Forçar uma cena, é satirizar sentimentos. Parodiar belas canções em prol de um divertimento findo - sem arte, sem essência. Ouvi uma frase um dia desses que dizia algo como: Não pense que está a salvo só porque uma pessoa parece ser boa com você e um determinado grupo, apenas; o caráter é um só. Concordo até certo ponto, mas acredito na mudança. Contudo, também acredito que se afundar num personagem equivocado, sustentar o insustentável, é uma atitude de acomodação covarde.
Nenhum prazer vale o preço das lágrimas alheias. Creio que em prol de bons sentimentos, quase tudo é perdoável, ou em casos graves, aceitáveis. Mas por vaidade, ego, egoísmo ou orgulho...Confesso que quando menor achava graça dos defeitos humanos; passava a mão na cabeça, procurava álibes e brincava com eles... Até que um dia desses um deles me mordeu, e depois um outro repetiu o gesto. E só então entendi que não se pode julgá-los, mas quando reconhecidos, exigem alguma tentativa de mudança, e não uma acomodação.
Não usá-los como álibes para continuar fazendo as mesmas coisas com pessoas a quem dizem amigas.
Enfim, mas no fundo - no fundo acho que é aquela história da música do leoni:
"O que me dá raiva não é o que você fez de errado, nem seus muitos defeitos, nem você ter me deixado, nem seu jeito fútil de falar da vida alheia, nem o que eu não vivi aprisionado em sua teia/O que me dá raiva são as flores e os dias de sol(...) são seus olhos e mãos e seu abraço protetor. É o que vai faltar." - Não sinto pelo erros em si, mas pelo fato de que em alguns, não se pode( ou não há o pleno interesse em) remediar. Assim, tantas pessoas se perdem uma das outras - "um bilhete curto e já não há mais nada".
E o que falta, para mim é sempre o que falta o que importa - e o motivo pelo qual a falta está presente. O vão que foi deixado - se foi deixado - terá sido porque em algum momento alguém desimportou aquilo que eu julgava importante? Lembranças passadas, certezas de lembranças futuras, uma idealização qualquer de um alguém(ou mais)...
(Em todo caso, admito que idealizar algo ou alguém é sempre um erro, cujo preço é uma desilusão futura e o efeito é uma sensação momentânea de beleza artística que há de romper, ainda que por um breve segundo, com a vida morna. - Idealizar com os pés no chão, ter a consciência de que você não sabe se é seguro, ajuda a amaciar a queda.)
Em contradição ao que acabo de escrever - tudo o que eu queria era fechar os olhos, contar até três, abri um sorriso e voltar ao ponto de partida, como se eu nunca tivesse saído de lá. Seja o útero, seja o começo desse ano, seja o começo do ano passado ou seja 3 ou mais anos atrás. Voltar para tentar reescrever a história, voltar apenas para sorri pra quem te fez chorar, voltar para sentir que tudo poderia ter sido diferente...